2015

House

Porto – Portugal

 

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baseArquitetura / site

pt
Um terreno de reduzida dimensão, cerca de 100m2, localizado numa rua estreita, bastante descaracterizada e diversificada, no centro da cidade do Porto. A última casa de um conjunto de três habitações, um caminho de servidão, que era necessário manter, e uma longa empena de cor vermelha. Um programa tradicional para uma família com um filho.
A construção existente encontrava-se devoluta não evidenciando interesse do ponto de vista arquitectónico, optando-se pela demolição integral. Assim, o projecto partiu da procura do equilíbrio entre a resolução de um programa minimamente aceitável para a exiguidade do terreno disponível e o enquadramento difícil com a envolvente, o que conduziu a uma solução material mais abstracta e intemporal: um volume em betão aparente.
Respeitando a área de ocupação permitida e alinhamentos impostos, a construção ocupa a frente do lote criando dois momentos, um positivo, a casa, e um negativo, o logradouro na parte posterior do terreno.
A entrada, localizada no limite norte num segundo plano, junto à viela, o andar recuado, os rasgos longitudinais em vidro escuro, que tentam a articulação com as diferentes alturas existentes nos edifícios contíguos, contribuem para a desmaterialização do volume. O betão aparente e o vidro foram escolhidos pela sua capacidade de transformação com o passar dos anos e a grande durabilidade, quando tratados de modo adequado, conseguem dotar a casa de um certo caracter intemporal.
Em contraste com a imagem robusta do exterior, o interior surge luminoso e cálido, com paredes e carpintarias brancas e o pavimento em madeira clara. A escada, elemento central, liga todos os pisos, desde a cave, onde se localizam a lavandaria e áreas técnicas, até ao piso recuado, um espaço polivalente aberto sobre um terraço parcialmente coberto.
A habitação é bastante fechada, na procura de privacidade relativamente à envolvente, abrindo-se apenas ao nível do r/Chão, através de um amplo envidraçado, para o pátio, gerando espaços de transição entre interior exterior. Um recanto verde e tranquilo no meio da cidade.

en
A small plot, about 100 square meters, located in a narrow, featureless and diversified street, in Oporto City Centre. The last of three houses, an alley of access, that was necessary to keep and a long red blind wall. A traditional program for a family with one child.
The existing construction was abandoned, with no special architectural value, giving way to the decision for a complete demolition. The project thus began with the search for balance between the resolution of an only just acceptable program, given the limited area available, and the difficult integration with the surrounding construction, which led to a more abstract and timeless solution: an exposed cast-in-place concrete house.
Respecting the allowed occupation area and imposed alignments, the building occupies the front of the plot, creating two moments: a positive one, the house, and a negative one, the adjacent courtyard at the back of the plot.
The entrance, located at the northernmost edge, in the background, next to the alley, the retreated floor in the upper level, the longitudinal openings in dark glass, which attempt to articulate the different heights in the adjacent buildings, contribute to the dematerialization of the house. The exposed concrete and the glass were chosen for their ability to change over the years and their great durability. When treated properly they can give the house a kind of timeless character.
In contrast with the robust external appearance, the interior emerges bright and warm, with white walls and woodwork and light wood flooring. The staircase, a central element, connects all the floors, from the basement where the laundry and technical areas are located, to the rearmost upper floor, a versatile space opened onto a partially covered terrace.
The dwelling is quite closed when seeking privacy regarding its surroundings and only opens up on the ground level through a wide glazing onto the courtyard, creating exterior-interior transition spaces – a quiet, green corner in the middle of the city.