2015

House

Coimbra – Portugal

 

Author

Jorge Teixeira Dias / site

pt
A casa existente insere-se numa zona maioritariamente habitacional na proximidade do Jardim Botânico de Coimbra. O edifício existente, uma casa do início do séc. XX era composto por quatro unidades habitacionais independentes.
O programa apresentado prevê a reconversão do edifício numa única habitação unifamiliar.
O avançado estado de degradação da estrutura original, a fraca qualidade construtiva do piso térreo e a inadequada dimensão dos espaços interiores definiram o princípio base da intervenção: a manutenção e restauro das fachadas e cobertura mantendo a volumetria existente e a demolição e consequente reformulação da totalidade do interior do edifício.
A nova organização espacial é marcada pela introdução de um corpo longitudinal central, definido a partir de duas paredes estruturais, que alberga as escadas, instalações sanitárias de serviço, arrumos e espaços de apoio nos pisos 0 e -1 e a circulação no piso 1.
As zonas de estar distribuem-se pelo piso de entrada, relacionadas com a cozinha, e o piso inferior em estreita relação com os espaços exteriores da casa.
O primeiro piso é ocupado pelos quartos, zona de vestir e instalações sanitárias complementados com uma zona de estar no sótão. Prevê-se que o espaço do sótão venha a ser ocupado com zonas de estudo e trabalho de forma informal. No piso do sótão situam-se também uma zona técnica e um espaço de arrumos.
No piso -1, situam-se também as zonas de lavandaria, arrumos, copa de apoio à sala de estar, zona técnica exterior e garagem à qual se acede por intermédio de uma plataforma elevatória situada a Norte da habitação, praticamente imperceptível pelo exterior.
A preservação dos vãos exteriores, caixilharia de madeira pintada com vidro simples foi determinante na manutenção da leitura da fachada original tendo as questões térmicas e acústicas sido resolvidas pela introdução de uma folha de correr com perfil oculto pelo interior cuja presença é praticamente imperceptível. A depuração no desenho dos novos elementos permite preservar a leitura dos caixilhos existentes.
Os pavimentos em madeira maciça de pinho de Riga sem nós são desenhados em função da modulação dos espaços, aberturas, passagens e zonas de circulação. As réguas oscilam entre 20 e 30 cm de largura com comprimentos correspondentes à dimensão total dos espaços. Pretende-se atingir uma depuração do desenho, reduzido ao essencial, patente no mobiliário fixo, mobiliário de cozinha e instalações sanitárias.
Procurou-se manter uma relação visual entre os diferentes pisos e espaços e garantir a chegada de luz zenital a todos os espaços interiores. São disso exemplo as aberturas das escadas para a sala do piso 0 e da circulação para a sala do piso -1, as aberturas entre os dois quartos e os lanternins nas escadas de acesso ao sótão, e zonas de circulação do piso dos quartos. Introduziu-se um lanternim redondo no espaço do sótão como forma de revisitar um tipo de abertura original, o óculo, presente desde o início nos diferentes pisos e espaços da habitação.
A abertura de novos vãos no piso da cave, em estreita relação com o jardim, apoia-se na métrica dos vãos existentes e reforça a ideia de espessura de parede própria do embasamento em alvenaria de pedra de uma casa com estas características. O encerramento dos vãos à cota dos espaços exteriores é feito por intermédio de portadas na face exterior da parede com acabamento em reboco igual ao das fachadas.
Por último, foram restaurados os muros mantendo os revestimentos originais, os capeamentos em pedra e elementos metálicos que delimitam o terreno associado ao qual se introduziu pelo interior um canteiro contínuo por forma a criar uma nova barreira vegetal e assim garantir a privacidade dos espaços exteriores e habitação, e a plantação de diversas árvores cuja localização foi determinada pelas relações que estabelecem com os espaços interiores da casa.
No jardim é criada uma plataforma de pedra associada ao vão de maiores dimensões da fachada sul, marcando de forma clara uma zona de estar exterior. Com as cantarias removidas dos vãos existentes no piso inferior que não pertenciam ao desenho original da casa é criado um longo banco de apoio ao jardim, associado a uma árvore existente.

en
The existing house is part of a mostly residential area near the Botanical Garden of Coimbra. The existing building, a house from the early 20th century, was originally composed of four independent apartments. The proposed program provides for the conversion of the building into a single-family housing. The advanced state of degradation of the original structure, the poor build quality of the ground floor and the inadequate size of the interior spaces defined the basic principle of intervention: the maintenance and restoration of the facades and roof while maintaining the existing volume, and the demolition and consequent redesign of the whole interior of the building.
The new spatial organization is marked by the introduction of a central longitudinal body, set from two structural walls, housing the stairs, toilets, service, storage and support spaces on floors 0 and -1 and circulation on the 1st floor.
The living areas are distributed over the entrance level, related to the kitchen, and the lower floor, closely related with the exterior spaces of the house.
The first floor comprises the bedrooms, dressing area and toilet facilities complemented with a living area in the attic. It is anticipated that the attic space will be occupied with informal areas for study and work. The attic level also contains a technical area and some storage space.
In floor -1, one can find the laundry areas, storage, kitchen support to the living room, an outdoor technical area and the garage which is accessed via a platform lift located on the north side, almost unnoticeable from the outside.
The preservation of the exterior openings, painted wooden window frames with single glazing was crucial in maintaining the original façade, with the thermal and acoustic issues addressed by introducing an almost imperceptible sliding window. The design of the new elements preserves the aspect of the original frames.
Knotless solid wood Riga pine flooring was designed to fit the spaces, openings, passages and circulation areas. The width of the planks varies between 20 and 30 cm, with lengths matching the full size of the spaces. A simple design, reduced to the essential, is patent on the fixed furniture, kitchen furniture and sanitary facilities.
There was a preoccupation to maintain a connection in the aspect of the different floors and spaces and to ensure zenith light reached all interior spaces. Examples of this are the openings of the stairs to the living room in floor 0 and circulation to the living area in floor -1; the openings between the two rooms and skylights in the stairs to access the attic; and the circulation areas in the floor with the rooms. A round skylight was included in the attic as a way to revisit a type of original opening that was originally present on the different floors and housing spaces.
New openings in the basement floor are set in close relationship with the garden, and reinforce the idea of thick stone masonry walls, typical of a house with these features. The openings are terminated with shutters on the outside wall, with a plaster finish identical to that used in the facades.
Finally, the walls on the property boundary were restored maintaining the original coatings, stone finishing and metal elements. On the inside, a single continuous bed for plants was created to ensure the privacy of the outdoor spaces and housing. Several trees were planted in locations determined with reference to the interior spaces of the house.
In the garden, in the south-facing part of the house, a stone-covered patio was created and a long bench was built, associated with one of the trees.